Equilibrista
nas pontas dos pés
revolve a linha da vida
que bambeia e bambeia
e o coração da aramista
aos pulos, no susto bombeia
mas ela é equilibrista
e não titubeia
faz juz ao sangue
que percorre tuas veias
Equilibrista
a dor no peito
pede um movimento arriscado
sofrendo, pende-se para um lado
amando, pende-se para outro
é sua alma em equilíbrio
num corpo cansado
mas ela é equilibrista
e não caminha errado
Equilibrista
segue na corda bamba
de braços abertos
celebrando o existir
a vicissutude, a instabilidade
seus portos do devir
Em antagônicas tendências,
ela não se abate
pois é equilibrista
entre a dureza e a alegria,
sorri, mesmo sem platéia,
celebrando sua essência de artista.
06 Julho, 2009
02 Julho, 2009
minha casa
Quando as palavras me faltam, é um sinal de que preciso retornar pra casa.
No baú:
palavras
26 Junho, 2009
imortal
Ninguém é imortal. Seja puro ou impuro, astro, vagabundo, delicado e assassino, devorador e virgem, visceral e inútil, não é imortal. Seja satélite, gramado, céu e chão, amante e desafeto, ouvido e violão, não é imortal. Pena capital. Pesar profundo. Nenhuma vida é imortal.
No baú:
vida
24 Junho, 2009
mon cœur
Paciente e esforçado, não tão benevolente, nem tampouco compassivo, ele se retrai em cansaço. Mergulhado em larga franqueza, já disse tudo o que sentia, foi generoso, responsável, reinventou-se e refletiu, variante sem designação, ficou farto, amou incondicionalmente e foi amado, feriu-se pulsionado em sua dinâmica, esta de pulsar sem freio nem pouso, de ser sempre o centro motor de impulsos e, mesmo repetitivo em suas ações, quis expurgar suas faculdades afetivas, sentiu-se vago, extremado e enfraquecido, perdeu o brio e a coragem, resignou-se de seu próprio destino... enfastiado de tudo e todos, recriou-se em sua imaginação, pegou o primeiro vôo para longe e agora, sossegado e feliz, solitário porém preenchido de novas sensações, transfigura-se belo dançarino que, sem vontade de ser encontrado, chora a calma das madrugadas ao contemplar a vida transcendida pelo toque suavemente intenso de guitarras e castanholas, sentado à mesa de um café cantante, e sorri à sua volta pelos espíritos desesperados, perdidos na Andaluzia dos poemas de Garcia Lorca.
16 Junho, 2009
insensata
Perdoem-me a minha insensatez. Ando pra frente procurando o horizonte que se encontra atrás de mim, volto-me a mim mesma procurando as direções que tracei à lápis, um sol na diagonal brilhando me faz cerrar os olhos, e cega de sentidos apalpo obstáculos que me rondam, pulo um, tropeço em outro, errando e acertando sempre, posso cair e levantar numa única fração de segundo, e quando a luz da lua me colore com aroma de patchuli, eu danço o fim e início de meus tempos, brinco de ciranda agarrando fortemente os que me apertam e se distanciam aos poucos, imutável e espontânea perco a faculdade de julgar, exalo por meus poros um espírito cuja forma reflexa é razão e emoção, é tudo e nada... a minha insensatez é a minha criança que brinca de bilboquê à espera de que a bola flutue para o céu e desça feito um meteoro que me atinja a fronte, abrindo minha mente para o mundo e espalhando pedaços de mim pelos lugares por onde ainda não passei.
29 Maio, 2009
travesseiro
é um grande amigo
que ouve meu choro
(baixinho)
e me abraça
(quentinho)
pra me consolar.
que ouve meu choro
(baixinho)
e me abraça
(quentinho)
pra me consolar.
No baú:
exercícios
dunas
meu coração é beira de mar
bordejado por dunas
de medos, de amores
esses montes de areia
que a vida, feito vento
carrega pra algum lugar.
bordejado por dunas
de medos, de amores
esses montes de areia
que a vida, feito vento
carrega pra algum lugar.
No baú:
exercícios
pássaros
há pessoas que são como pássaros
pousam em minha mão
e voam, num piscar de olhos
simplesmente, se vão.
pousam em minha mão
e voam, num piscar de olhos
simplesmente, se vão.
No baú:
gente
28 Maio, 2009
eis a questão
quantos adjetivos acompanham
determinantes
os verbos da existência?
determinantes
os verbos da existência?
No baú:
exercícios,
vida
o poeta
E era assim que ele seguia em suas primitivas interpretações, senhor de tantas fabulações sobre o mundo, sempre tão incompreendido, porém nunca ingênuo, não era louco, apenas gostava de alegorias, expunha fatos através de símbolos criados com tanta maestria, divididos entre a realidade e o enigma, a dúvida e a certeza. Sentava-se à beira de calçadas para contar suas histórias, incríveis, fantásticas, a quem gostava de ouvir, perambulava por aí, vaticinando seu próprio futuro, "morrerei ao final de outro dia!", arrancando gargalhadas pelo óbvio... porém o óbvio não aconteceu, os séculos se foram e este senhor não morreu, ficou doente, foi preso, torturado, mas sobreviveu, e hoje vive a andar pelas ruas das cidades, a contar as histórias das gerações, uns acreditam, outros nem escutam, já tentaram interná-lo, perturbá-lo com falsas verdades, mas nada atinge de fato este imortal poeta, que tem o nome de Liberdade.
Assinar:
Postagens (Atom)


